Projecto de monitorização hidrológica

Desde 2015 que o Projecto da Vida Selvagem do Okavango da National Geographic (em inglês NGOWP) tem vindo a estudar sistematicamente os principais rios que suportam o delta do Okavango, nomeadamente os rios Cuito, Cuanavale, Cubango e Cuando. Esse estudo envolveu expedições terrestres para redescobrir as nascentes dos rios nas terras altas de Angola e expedições por mokoro (canoa tradicional) de todos os rios até à foz, com o registo de dados sobre biodiversidade, saúde do ecossistema e informação socioeconómica.

A equipa rapidamente reconheceu a importância do que agora é designado por Torre de Água do Cubango-Okavango/Zambeze, um monte gigante de areia do Kalahari com uma altura de 1800 m e que ocupa uma área superior à da Grécia. A grande precipitação anual que se verifica nesta torre de água (para ficar a saber mais sobre as torres de água em África clique aqui) infiltra-se na areia e é depois lenta e consistentemente descarregada nos rios que aí têm origem. Sem essa recarga de água continuada, o delta do Okavango não existiria. Porém, dado o desenvolvimento económico e as alterações climáticas, é preciso monitorizar os fluxos de água cuidadosamente para prever alterações adversas no funcionamento hidrológico desses rios e acima de tudo salvaguardar os ininterruptos meios de subsistência das pessoas e da vida selvagem a jusante.

A guerra, a inacessibilidade extrema e a falta de tecnologia fiável dificultaram a monitorização hidrológica desses rios. Por esse motivo, os modelos hidrológicos não possuem os dados necessários para informarem os agentes de decisão sobre como melhor gerir a água. Perguntas como, por exemplo, que quantidade de água se pode extrair dos rios sem afectar negativamente o delta do Okavango, ou, que impactos terão as novas barragens nas pessoas que vivem a jusante, não têm ainda resposta. Além disso, essa monitorização funciona como um alerta precoce em caso de possíveis cheias, detecta alterações na qualidade da água e melhora os nossos conhecimentos gerais no que respeita a hidrologia fluvial e funcionamento do ecossistema.

Plano de monitorização hidrológica

Através de consulta exaustiva, workshops e simpósios com peritos, instituições e partes interessadas relevantes, o Projecto da Vida Selvagem do Okavango da National Geographic (em inglês NGOWP) em conjunto com os seus parceiros idealizou e concebeu um plano de monitorização hidrológica que regista descarga de água, qualidade da água e clima em vários locais estratégicos da bacia hidrográfica do Cubango‑Okavango.

Essas estações, que funcionam a energia solar, são colocadas em pontes e registam valores hora a hora que são enviados em tempo real para o utilizador final por meio de ligação por satélite.

A descarga de água é monitorizada por um RQ30. Esse dispositivo pioneiro é suspenso por baixo da ponte e calcula a descarga do rio a partir do nível de água e da velocidade, utilizando sinal de radar de impulsos e efeito Doppler respectivamente. Para calibrar o RQ30, primeiro mede-se os perfis do leito do rio húmidos e secos utilizando um perfilador acústico de correntes (acoustic doppler current profiler ou ADCP) e um medidor de distâncias a laser respectivamente, que são depois carregados no dispositivo.

A monitorização da qualidade da água de longo prazo é mais difícil de fazer, visto que é preciso dispor de um dispositivo de registo permanentemente submerso no rio. Para tal, escolhemos a sonda multiparâmetros InSitu Aquatroll 600 que mede pH, potencial de oxirredução, RDO (rugged dissolved oxygen), turbidez, condutividade e temperatura, parâmetros que indicam potenciais alterações na qualidade da água. O dispositivo tem de ser sujeito recalibração e manutenção periódicas, pelo que tem de estar acessível a partir da parte superior da ponte sem que possa ser danificado por detritos flutuantes.

Para tal, optámos por instalá-lo num tubo perfurado montado num pilar da ponte do lado de jusante num sistema de polia de circuito fechado.

Para monitorizar precipitação, vento, temperatura, pressão atmosférica e humidade, instalámos um Vaisala WXT530, que é um dispositivo compacto sem peças móveis e que por isso exige menos manutenção que as estações meteorológicas convencionais.

Para a alimentação da estação, utilizámos um painel solar de 80 W fixado num alojamento antivandalismo, com o registador de dados, o dispositivo de comunicação e a bateria a estarem alojados num alojamento à prova de bala.

A estação de monitorização resultante foi montada e programada por Campbell Scientific Africa.

Locais de monitorização

Fotografias da instalação

Instalação na ponte de Divundu

Recentemente, a equipa instalou a primeira estação na ponte de Divundu, na Namíbia. Da equipa fizeram parte Rainer von Brandis e Götz Neef (NGOWP); Leonard van der Merwe (Campbell Scientific Africa); Allan Craw e Arno Janse van Rensburg (Access and Rigging Services); Victor Lehmann e Guillio Kröhne (Ministério da Agricultura, da Água e das Florestas (Namibian Ministry of Agriculture, Water and Forestry)); e Christoph Lohe e Stephanus Markgraff (Water Associates of Namibia). Em conjunto, a equipa conseguiu instalar e configurar a estação de monitorização em cinco dias.

Depois de verificados, analisados e modelados por hidrólogos especializados, os dados serão utilizados pelos governos de Angola, Botsuana e Namíbia e seus respectivos parceiros e consultores (OKACOM, KAZA, UE, Agência Alemã para o Desenvolvimento (GIZ), KFW, PNUA, USAID, Banco Mundial, Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Conservation International (CI), The Nature Conservancy (TNC), etc.) como ferramenta de apoio à tomada de decisões para desenvolvimento sustentável, gestão sensata da água e alerta precoce de aviso de cheias. Além disso, qualquer parte interessada poderá aceder às leituras em tempo real e às visualizações de dados aqui. É importante realçar que os dados e visualizações representados nesta ligação consistem em dados e visualizações não verificados.

Nem o Projecto da Vida Selvagem do Okavango da National Geographic nem quaisquer seus empregados, empresas contratadas ou subcontratadas fornecem qualquer garantia expressa ou implícita ou assumem qualquer responsabilidade legal pela exactidão, plenitude ou utilidade de quaisquer dados representados.

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